Teste da Orelhinha
   Ainda dentro do útero, a audição do ser humano já se encontra em atividade. A partir da vigésima semana de vida intra-uterina, o feto tem uma capacidade auditiva igual a qualquer criança ou adulto normal. O feto se familiariza com alguns sons ambientais e, principalmente, com a voz da mãe, o que lhe servirá de referência e segurança após o nascimento (GOERINGER, 1998; BELLMANS, 1997)

   O ouvido externo, médio e interno estão essencialmente desenvolvidos ao nascimento. O nervo auditivo e as vias auditivas periféricas e centrais apresentam um período crítico de desenvolvimento do nascimento até os dois anos (GROSE, 1998). Nesse período, pode haver um grande número de fatores que interferirão no desenvolvimento das vias auditivas.

   Indicadores de risco para a surdez segundo o Join Committee on Infant Hearing (1994):

• história familiar de deficiência auditiva congênita;
• infecções congênitas: sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes;
• anomalias crânio-faciais, incluindo as alterações morfológicas de pavilhão auricular e conduto auditivo enxterno;
• peso ao nascimento menos que 1500g;
• hiperbilirrubinemia a nível de exsanguíneo transfusão;
• medicação ototóxica, incluindo mas não limitando-se aos aminoglicosídeos, utilizada ou não em associação aos diuréticos;
• meningite bacteriana;
• boletim Apgar de 0-4 no 1º minuto ou 0-6 no 5º minuto;
• ventilação mecânica por período maior que cinco dias;
• síndromes associadas à deficiência auditiva condutiva ou neurossensorial.

   A audição é fundamental para a aquisição e desenvolvimento da fala e da linguagem. Estudos comprovam que a detecção de alterações auditivas e a intervenção inicada até os seis meses de idade garantem à criança o desenvolvimento social, comparável ao de crianças ouvintes da mesma faixa etária.

   Seguindo as orientações internacionais, sugere-se que a triagem auditiva neonatal seja realizada com métodos objetivos de avaliação para garantir a eficácia do programa. Para isso, aconselha-se a utilização do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA) ou da Audiometria de Tronco Cerebral.

   Os contínuos estudos a respeito da fisiologia da cóclea revelaram que o mecanismo de seleção de freqüências é bem mais complexo do que o modelo de envelopes de ondas (Bèckésy) na década de 50. Atualmente, além do que já se conhecia, existe uma participação muito particular da célula ciliada externa, que atua como um ajuste de sintonia fina para seleção da exata freqüência de estimulação da célula ciliada interna. Essa função é executada principalmente para os sons de baixa intensidade, até aproximadamente 45dB, e se dá às custas de um movimento de contração progressivo da célula ciliada externa, cuja amplitude máxima é atingida na região da freqüência de estimulação da célula ciliada interna, tudo sendo controlado por um sistema de realimentação formado por fibras nervosas aferentes e eferentes.

   Essa atividade biomecânica de contração da célula ciliada externa produz som. E, foi no início dos anos oitenta que um pesquisador inglês, David Kemp, demonstrou que a cóclea emite ondas sonoras em direção ao ouvido externo quando estimulada por alguma fonte sonora. Essas emissões sonoras podem ser captadas por um microfone acoplado a uma sonda e colocado no conduto auditivo externo. As emissões avaliam a integridade coclear.

   Cientificamente conhecido como Emissão Otoacústica e, popularmente chamado de "Teste da Orelhinha", em comparação ao famoso "Teste do Pezinho", é o mais recente método para a avaliação auditiva em recém-nascidos.

   As EOA mais utilizadas são:

1. EOA Evocadas Transientes: são aquelas que ocorrem após estímulo do ouvido utilizando-se um ruído do tipo clique.
2. EOA Produto de Distorção: avalia-se a função coclear analisando-se separadamente cada área da cóclea, uma vez que se sabe que cada região da cóclea é responsável por captar um tipo de freqüência sonora, propriedade denominada de tonotopia.

   O exame é objetivo, rápido, não dói, não há necessidade de uso de sedativos e não apresenta contra-indicações. Uma sonda é colocada no ouvido do bebê e o equipamento emite ondas sonoras que são detectadas pelo microfone da sonda. O processador separa as emissões cocleares dos ruídos (respiração, batimento cardíaco). O resultado é emitido na mesma hora.

   Aplicações clínicas principais:

1. Triagens auditivas neonatais e escolares;
2. Monitoramento auditivo em pacientes que fazem uso de medicação ototóxicas (aminoglicosídeos, vancomicina, furosemida, etc);
3. Diagnóstico diferencial de patologias auditivas;
4. Avaliação auditiva de deficientes mentais e pacientes com respostas inconsistentes à avaliação convencional.




 Voltar 

Copyright 1995-2017 © Otorrinopediatria